26 de outubro de 2010

Aconteceu em Woodstock

Não. Não é mais um filme sobre o espírito livre do festival de Woodstock de 69. Não é mais um passeio colorido de câmera sobre um monte de gente sem camisa e cabeluda curtindo uma vibe positiva. Aqui, o festival em si é coadjuvante de uma história de descobertas pessoais.

Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, 2009) do diretor taiwanês Ang Lee tem sua atenção voltada para Elliot Tiber (Demetri Martin), um jovem sem graça, todo certinho que desiste de um monte de coisas para cuidar de seus pais malucos, os ótimos Imelda Staunton e Henry Goodman.

A mãe é uma judia pão dura pra caramba que gerencia a pousada na pequena cidade de Bethel, que foi o lugar escolhido para abrigar o festival depois do local original ter recusado receber a galera. Enfim, o responsável pela reunião musical ,Michael Lang, recebe um telefonema do recatado Elliot oferecendo a cidade. Não preciso nem dizer que todos os moradores de lá foram contra, criticaram, ameaçaram e xingaram o rapaz por levar a esbórnia para sua pacata e tradicional cidade.

Na verdade, a família de Elliot estava sendo ameaçada de despejo e ele liga pra Lang e oferece hospedagem pra abrigar "u festival de música"... o mocinho nem tinha ideia do que se tratava tal evento.

Começam os preparativos e o nome mais falado do momento é o de Elliot. A partir daí, vemos as transformações que esse evento causou na vida do rapaz. Na verdade o filme nem fala do que Woodstock Music & Art Fair significou para a história em si. Como disse, a mudança aqui é pessoal, o festival foi um divisor de águas na vida desta família e principalmente, de Elliot.

Dica: Se você nem sabe do que se trata Woodstock nem precisa contar com o filme para aprender. Se você não manja muito desse pedacinho ilustre da história da humanidade, pegue carona neste delicioso longa e divirta-se. Garanto que revolta não vai rolar, ou frases do tipo "caracas, o cara viajou" ou " putz, acabaram com Woodstock".

Os momentos em que Ang Lee parece mergulhar na atmosfera dos anos 60 focam as transformações de Elliot, até então um jovem reprimido, a alguém consciente da capacidade de guiar a própria vida. Com ar lúdico, a câmera substitui o olhar do personagem e passamos a seguir o mundo com sua visão lisérgica. Ou seja: rola uma vontade louca de estar lá também.

O filme é baseado no livro Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Lifede Elliot Tiber e nele, você vai encontrar figurinhas conhecidas como Liev Schreiber, Emile Hirsch, Jeffrey Dean Morgan, Paul Dano, Eugene Levy. Maravilha Alberto! Esse pessoal deixa a impressão de que nasceu para esses papéis. Ang Lee fez caber numa pessoa só, o maior festival de rock de todos os tempos!

É isso! veja e permita-se viajar para Woodstock!
beijos

4 de outubro de 2010

Amor à distância

Tá, tá! todo mundo sabe que eu sou mesmo fã declarada de comédia romântica. Não tenho culpa simplesmente não consigo me conter. Mas mesmo eu assumo que a fórmula para que esses filmes agradem é a mesma: casalzinho ternura que se repele no início + amigos bacanas + uma trilha da hora e pronto! Já ganhou! Já ganhou! Ando meio atrasada com os posts, devo estar com bloqueio criativo rs

Ok, voltando. Dia desses fui ver Amor à distância (Going the distance,2010). Numa América que exalta os vencedores, os personagens do filme são “derrotados”. Erin (Drew Barrymore) já passou da idade de estar na universidade, mas ainda busca um estágio no The New York Sentinel enquanto Garrett (Justin Long) é caça-talento de uma gravadora. Trabalho legal, se ele não tivesse de gastar tanto tempo com bandas do tipo “os próximos Jonas Brothers". Um belo dia por capricho do destino os dois se encontram mas.... enfim depois de um momento mágico ela tem que voltar pra sua cidade natal pois o estágio no jornal venceu.

O mote do filme é o relacionamento à distância. Todos aqueles meios que você conhece (sms,msn, email, telefone) de tudo isso o casal usa e abusa pra manter contato. O bacana é que, diferente de outros filmes onde os personagens são ricos, lindos,bem-sucedidos e só lhes falta o amor, neste filme os protagonistas estão longe de serem tudo isso e ,ainda por cima lhes falta o amor.O longa fala de duas pessoas para as quais ainda falta muito. Ou seja, elas refletem os seres mortais que esbarramos pela vida, não os inalcançáveis de um certo tipo de cinema.

Os dois amigos de Garrett são memoráveis. Box (Jason Sudeikis) só se interessa pelas coroas, ao passo que seu melhor amigo Dan (Charlie Day, melhor atuação do filme) é o rude/escatológico que tenta todas as garotas, mas fica a ver navios. O filme faz diversas referências aos anos 80 (Top Gun, Bonnie Tyler, fliperamas) que pra que já está quase na casa dos 3.0 (não é meu caso viu rs) deixa uma pontinha de saudades também. Christina Applegate é a irmã protetora e hilária de Drew.

O legal é que até o fim do filme você não sabe ao certo o destino dos personagens, nada é estável e não fica aquela sensação de roteiro reciclado sabe, que a gente conhece até as falas. Falando nisso, o longa brinca até com esses roteiros super fofos e manjados desse tipo de filme. Amor à distância é meio "sujo" para a categoria.

É uma boa surpresa. Justin e Drew funcionam super bem na tela, afinal são casal também na vida real (rimou!!).


Divirtam-se!

beijos